 |
| por Kevin Gessner, Flickr, CC |
[texto originalmente publicado no Outras Palavras, em 06/02/2012]
A proibição paulistana (e campineira; e provavelmente em
outras cidades também, que eu não saberia citar aqui) de supermercados
distribuírem sacolas plásticas para que os clientes transportassem as
compras tem sido, no mínimo, polêmica. Grupos raivosos pipocaram na
internet de todos os lados: contra, a favor, pela volta das sacolas,
pelo fim dos supermercados, e por aí vamos. Por que, afinal, uma decisão
aparentemente tão simples gerou tanto ódio?
Comecemos do começo. As sacolas plásticas vinham sendo
utilizada em larguíssima escala e na maioria das vezes sem a menor
necessidade (para carregar um litro de leite apenas, por exemplo, muita
gente chegava a usar até duas sacolas). O fato de que depois essa sacola
será usada como saco de lixo não exime nem elimina o problema de seu
uso. Ela será provavelmente destroçada e seus pedaços acabarão na
garganta de algum animal ou humano de qualquer forma, poluindo
mananciais entre outros problemas associados.
Trata-se de uma questão maior que é o destino do lixo. O
“lixo” que a sacola plástica comporta não acaba na porta da sua casa,
nem no caminhão, nem no aterro. É um ciclo longo e muito agressivo, já
que somos tantas pessoas tão concentradas nas grandes cidades
brasileiras. Na grande maioria dos casos, o lixo poderia ser descartado
em caixas de papelão ou sacos de papel, talvez um pouco menos
agressivos, embora o descarte ideal e menos nocivo talvez fossem latões
comunitários, esvaziados direto no caminhão. Você levaria uma caixa
plástica reutilizável ao latão, despejaria seu lixo lá, passaria uma
aguinha na caixa e voltaria pra casa feliz e contente. O caminhão
recolheria direto esse lixo e levaria o orgânico pra uma grande
composteira – enquanto o reciclável seria separado em usinas e
reutilizado. Não é tão utópico assim, mas é preciso um pouco de vontade
política.