20 abril, 2013

Vencedoras do sorteio Marjane Satrapi - Persépolis e Bordados

Então é quase fim de Abril e eu finalmente consegui um tempinho pra publicar pra vocês o resultado lindíssimo do sorteio do livro Bordados e do DVD Persépolis, da lindinha Marjane Satrapi.

Fiz assim, ó: listei as participantes (apenas 9 - que é isso, gentê? #xatiada) e em seguida fui no Random.org sortear um número aleatório de 1 a 9. Fácil né? A lista original foi feita na ordem em que responderam no site:


  1. Barbara M.
  2. Mônica de S.
  3. Martiane F.
  4. Laura C.
  5. Gabriela S.
  6. Juliana H. B.
  7. Eli M. P.
  8. Thaís C.
  9. Flávia P.
Como tem dois prêmios, fiz dois sorteios no Random.org. Resultados:


Quer dizer, as felizes ganhadoras foram Barbara M. e Martiane. Entro em contato com as duas para saber se têm alguma preferência por um dos dois prêmios e logo retorno com novidades caso um dos prêmios ainda esteja disponível! :)

Como o primeiro sorteio foi esse do número 1, a Barbara tem prioridade na escolha.


Obrigada pela participação, meninas!

22 março, 2013

O nazismo velado da Holanda e as tantas formas de viver e recontar a História

Segredo de Família, de Eric Heuvel, Cia das Letras, div.
É curioso como a gente conta a história quando ela já aconteceu. Tarantino, em Bastardos Inglórios, brinca um pouco com essa possibilidade. Eu, pessoalmente, gosto de imaginar. De buscar furos. De tentar versões. Talvez por isso tenha gostado tanto dos bastardos, e de O Leitor. Dos diários da Anne Frank e de Zlata (na guerra da Bósnia, se não me falha a memória). Dos quadrinhos do Joe Sacco. Essas obras são todas, ficcionais ou não, recontações da História, essa de H maiúsculo (que, vai ver, nem é tão maiúsculo assim).

Trombei por acaso com um livro em quadrinhos chamado "Segredo de Família", de Eric Heuvel. Quando chegou em casa, me dei conta de que era um livro para crianças, ou pré-adolescentes (tweens, como dizem os publicitários hoje em dia). Eu, que sou fã de literatura infantil e infanto-juvenil, não liguei grandes coisas. Achei legal, aliás, que haja livros discutindo recontações de histórias sobre a Segunda Guerra, destinados a tal público.

Em "Segredo de Família", um menino holandês fuça o sótão da avó e descobre alguns objetos. Contando a história dos objetos, a avó revela que seu pai (bisavô do protagonista) esteve entre os agentes do nazismo na Holanda. Aos poucos, toda a história da segunda guerra na Holanda (história pela qual sequer passeamos quando estudamos o assunto na escola) vai se revelando. Curioso é que, andando nas ruas de Amsterdã, Utrecht, Eindhoven, e em tantas outras mais, eu sequer me lembrei que a Holanda teve seu momento de nazismo. Por outro lado, parece que, segundo esse livrinho curto, a própria população holandesa se rebelou de maneira mais geral contra os nazistas depois de um tempo que haviam se instalado no país.

Isso me lembra uma outra discussão: quando a história ainda não é história, ou seja, enquanto ela acontece, a gente raramente tem uma perspectiva larga de todos os interesses envolvidos e fatos. Se hoje, com internet, comunicação, etc. já é difícil (tente fazer uma descrição da Guerra do Afeganistão da forma como conseguimos fazer da Segunda Guerra ou do Vietnã, por exemplo, e veja a diferença), imaginem na época, com a informação circulando de forma ainda mais restrita, apenas por meio de rádio, etc. "Segredo em Família" mostra essa parcialidade necessária e contundente que vivemos quando a história é presente e está se fazendo.

Vale a leitura, pelo conhecimento sobre os fatos mas, muito mais, pela reflexão sobre as formas de contar e de agir sobre a História - que nós, o tempo todo, estamos fazendo.

21 março, 2013

Então é Dia Internacional da Mulher. E o que você fez?

Celebrating women's empowerment at a 16 October women's empowerment rally in Nigeria
imagem de Africa Renewal, Flickr, CC
No dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional de luta das mulheres. Passeando no shopping, percebi que algumas lojas estão tentando estimular a compra de presentes para mulheres nessa data.

Não tenho nada contra presentes. Acho até legal quando alguém pensa em comprar uma lembrancinha numa data especial, desde que por desejo próprio, e não por obrigação. Só espero que a ideia de trocar presentes não tire o foco do verdadeiro sentido por trás dessa importante data. Afinal, temos esse dia de luta porque somos um grupo historicamente oprimido. E como está nossa situação hoje?

As mulheres têm alcançado diversas posições bacanas na nossa sociedade, sua escolarização se alongou, têm conquistado melhores postos de trabalho do que antes, têm tido mais acesso ao planejamento familiar, entre outras coisas. Mas infelizmente a cultura machista continua fazendo vítimas todos os dias, porque continua tendo força na nossa forma de pensar, ver o mundo e organizar a sociedade. O caso da violência doméstica no Brasil é grave e mostra apenas uma das consequências nefastas do machismo.

A violência contra mulheres ainda é um problema no mundo inteiro. Muitas mulheres são vítimas de assassinatos devido a ciúme do parceiro numa indubitável demonstração do quanto ainda somos vistas como propriedade. A esses damos o nome de femicídio ou feminicídio. E mesmo quando não termina em assassinato, uma relação abusiva pode deixar várias marcas na vítima, tanto físicas quanto psicológicas e ir "matando" aos poucos.   

Muitas pessoas que têm o privilégio de não viver uma situação de violência doméstica acabam se perguntando: qual o problema com essas mulheres que permanecem em relações abusivas? Elas não percebem que estão namorando ou casadas com um escroto machista (ou com uma escrota machista, já que é documentada a ocorrência de violência doméstica entre casais homossexuais)?

Essas são questões difíceis de se responder. A princípio, não podemos esquecer de que as vítimas estão numa situação de dependência, às vezes financeira, às vezes emocional. Para conseguir sair da situação na qual se encontram, precisam passar por um processo que chamamos empoderamento.

O empoderamento é um processo pelo qual uma pessoa percebe seu verdadeiro valor, conseguindo então encontrar poder nela mesma para mudar sua situação. Ela se apropria, se empodera da própria vida. Se vemos tantas mulheres sendo vítimas de parceiros abusivos é porque muitas delas não têm poder psicológico e simbólico, o que é uma consequência da cultura machista e da sociedade na qual vivemos.

É importante mencionar que a violência pode aparecer de formas bastante sutis, que sequer são entendidas como violência no senso comum. Insultos, "piadas" ridicularizando seu corpo ou seu modo de ser, apelidos pejorativos, enfim, qualquer prática que mine seu gosto pela vida de alguma forma. Sentir prazer em viver é fundamental no processo de empoderamento, e é o primeiro ponto que um(a) agressor(a) vai atacar.

Portanto, toda vez que sentir a esperança sumindo, busque satisfação nas pequenas coisas. Olhe para dentro de si, veja quem você é de verdade, reconheça suas qualidades, lembre-se de seus sonhos. O momento para ser feliz é agora. Sempre é hora de tentar algo novo. Um curso, por exemplo. Estudar é uma das principais formas de empoderamento, pois traz a oportunidade de conhecer pessoas novas, e assim, novos amigos(as) que podem apoiar em momentos difíceis. Além disso, aprender algo novo também pode trazer novas possibilidades profissionais, e, por consequência, um caminho para a independência financeira. Existem vários cursos gratuitos ou a preços populares. Bibliotecas costumam ser um bom lugar para se encontrar informações sobre eventos e oficinas e são acessíveis a todos.        

Essas dicas não são exclusivas para vítimas de relacionamentos abusivos. Todas as mulheres, bem como outras minorias, precisam de empoderamento em maior ou menor grau. O empoderamento é a chave para não se deixar tomar pela constante inferiorização que a cultura nos impõe dia após dia. 

Então, o que você fez para empoderar-se nesse ano que passou, desde o último mês de Março?

20 março, 2013

Casando uma ovelha negra

[O Mulher Alternativa recebe muitas visitas por conta dos posts em que falo sobre meu casamento "alternativo". Recentemente a Ana Kacurin entrou em contato comigo, querendo compartilhar com vocês a jornada dela, em seu próprio casamento "de ovelha negra", que foi como ela chegou a sua profissão atual. Ana é fotógrafa, especializada em casamentos "alternativos" e com um olhar "diferente". Ela trabalha no Rio de Janeiro mas aceita viajar pelo Brasil e seu site é www.anakacurin.com.br. Aproveito pra postar hoje o texto dela, já que é meu próprio aniversário de casamento! :) Sras e sres, ovelhas negras, brancas e pardas do Brasil, com vocês o depoimento da Ana!]

Ana, em seu próprio casamento.

Olá leitoras do Mulher Alternativa! Sou Ana Kacurin, fotógrafa de casamentos e da vida e ovelha negra, por assim dizer... Vim contar para vocês sobre como foi meu louco casamento. Existem aquelas pessoas que não gostam do lugar comum. Às vezes não tem nada de errado com o lugar comum em questão, mas com o fato dele ser, bem... comum. "Comum" nunca foi uma palavra muito boa pra me descrever. Coisas comuns estão para mim como roupinhas de lã estão para gatos.  Já viu como eles ficam quando enfiamos aqueles suéteres neles? Andam arrastando a bunda no chão como se tivessem perdido o movimento das pernas ou ficam duros estáticos até caírem de lado como bonecos. Pois é, assim sou eu com as coisas “comuns”. Assim fui eu a vida toda. Para alguns, eu poderia ser chamada de ovelha negra. Bem, sei lá... Ovelha negra é muito comum. Prefiro ornitorrincos. E minha cor favorita é fúcsia. Mas isso não vem ao caso.

O fato é que quando eu encontrei minha ovelha-metade e resolvi casar (sim, ovelhas negras também casam!) eu me vi diante de um dilema: igreja? branco? violino? véu? ARGH! Nada a ver! Ao mesmo tempo via tudo aquilo nas revistas e blogs achava lindo... *_* Só que toda prova de vestido me fazia me sentir como o gato de suéter. Então passei a caçar freneticamente inspirações de casamentos alternativos na internet que me permitissem ser uma noiva autêntica, fiel a mim mesma, mas não tive muito sucesso. Em uma dessas buscas me deparei em um site gringo com uma expressão que prontamente me identificou na hora: bridezilla! Eu havia me tornado uma noiva à beira de um ataque de nervos, devoradora de pessoas que torcessem o nariz para minhas ideias esdrúxulas de casar vestida de preto ou fazer uma cerimônia wiccana. Minha mãe fazia todo esforço do mundo para embarcar nas minhas viagens, mas a verdade é que eu olhava para nossas famílias e via um balãozinho escrito "G-ZUIS, vai ser um auê!"

Foi então que eu descobri o caminho do meio. O meu caminho do meio. Porque percebi que não tem graça casar se você não estiver sendo fiel a si mesmo, mas também não tem graça casar se todo mundo presente estiver em outra vibe achando tudo uma viagem louca da sua cabeça. Afinal, você se casa para compartilhar com as pessoas importantes da sua vida sua vontade de viver e dividir sua vida com alguém que você ama. 

Comecei a caçar o significado dos rituais de casamento para que tudo fosse amarrado de tal forma que fizesse sentido. No final, as coisas nem forram tão alternativas e loucas assim. Eu casei de branco, fui levada ao altar, teve papel passado, tive padrinhos, soltaram bolinhas de sabão quando saímos pelo tapete, tudo igual a um monte de casamentos. A diferença foi que eu pesquisei e personalizei tudo, busquei o porquê das coisas e dei meu toque pessoal. Tudo o que foi falado, feito ou prometido tinha uma razão de ser. Os padrinhos e pais tinham um papel no altar que era nos conduzir até o portal de onde sairíamos conduzindo um ao outro; lá eles nos passaram sua sabedoria e experiência através de conselhos. Os pajens e damas traziam buquês de ervas aromáticas e de diferentes cores, cada um com um significado (estudados e confeccionados pela minha mãe que ao final comprou totalmente minha ideia). O dia, a lua, as músicas, tudo foi escolhido para emoldurar o momento. Os votos de trazer lágrimas aos olhos de todo mundo foram escritos por nós. A cerimônia, que foi escrita por mim e por meu noivo marido junto com um amigo xamã (que foi nosso celebrante) tomou uma forma linda cheia de simbologias emocionantes, inspiradas em diversas culturas, que me permitiu um casamento diferente de tudo que já se viu, embora nos mesmos moldes de todos os outros. No fim todo mundo embarcou junto na nossa viagem. 

Todo mundo na mesma viagem, no casamento da Ana.
Do mesmo jeito foi escolhido meu vestido, que acabou sendo um vintage coquetel bem rodado que tinha tudo a ver comigo, que sou tatuada e adoro pinups; a roupa das madrinhas, padrinhos e do meu noivo (todas estilo anos 50); a banda de rock que foi convidada; sempre numa levada retrô. A decoração foi feita com plumas e velas (com algumas flores) e usamos preto sim, mas com branco e vermelho, o que ficou charmosíssimo. Nossos brindes eram sacolas retornáveis com os dizeres "construir uma família combina com cuidar do planeta", o que remete ao nosso forte senso de ecologia. Em diversos detalhes, eu e meu marido mostrávamos nossa personalidade "diferente". Aprendi que quando você traz sua personalidade para o ritual do casamento e compreende o verdadeiro significado do que é esse ritual, que nada mais é além da celebração do amor entre duas pessoas e a expressão da vontade de construírem uma vida juntos, tudo se torna único e especial.

Quando tudo isso acabou, eu estava tão orgulhosa! Nosso casamento havia sido um evento tão lindo, tão emocionante, tão comentado e eu estava tão feliz e satisfeita, que eu pensei muito em seguir alguma carreira nesse ramo. Pensei em abrir uma casa de festas, um serviço de cerimonial alternativo, um atelier de design de vestidos vintage. Contribuir de alguma forma com a comunidade de noivas ovelhas negras que deve existir por aí. Mas a verdade é que todo casamento é único, se você olhar de perto. É sobre o amor único, de duas pessoas únicas, seja eles quem forem. 

Casamento alternativo fotografado pela Ana, após
todas as descobertas dessa emocionante jornada.
Então, entre um emprego nada a ver e outro, sendo verdadeira e fiel a mim mesma, uma profissão praticamente caiu no meu colo e eu relembrei toda aquela emoção, todo o frio na espinha, todo o orgulho de ser alternativa e diferente e ainda assim ter todo mundo embarcando na sua viagem. Foi na fotografia que meu coração finalmente parou e ficou suspenso, no espaço e no tempo. Eu finalmente tinha a ferramenta ideal para mostrar que todo casamento é único, mesmo com flores iguais, docinhos iguais, véu e arroz: minha lente, meu olhar. Para isso bastava eu embarcar na viagem dos outros, dos casais que me confiavam essa importante função de registrar um momento único de suas histórias. Para isso basta ter o carinho e dedicação de conhecer o que se fotografa. Assim, eu clico olhares, suspiros, toques, telefonemas, música, cores, cheiros, beijos, sensações, expectativas... 

Agora não sou mais um gato de suéter! Me sinto feliz e satisfeita vendo beleza em todo lugar, bastando para isso eu usar o que tenho de mais único: meu olhar diferente. E assim, a cada casamento que eu clico, eu revivo um dia especial, eu me identifico em número gênero e grau com meus casais clientes, porque tudo que era comum passou a ter um sentido especial.

19 março, 2013

Lápis, Batom e TPM

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Margaux Motin, cartunista, Flickr, CC
O "Lápis, Batom e TPM" é um evento de humor e arte que presta homenagem ao Dia Internacional da Mulher. O evento nasceu em 2011, em Piracicaba,  e acontece anualmente em março. Como já diz o próprio nome, é um evento feito por mulheres. O que caracteriza essa mostra é a exposição de cartuns, charges, tiras e caricaturas de autoria de mulheres brasileiras e estrangeiras, sejam elas amadoras ou profissionais, que representam direta ou indiretamente suas lutas e conquistas.

Além de ser, de certa forma, uma manifestação em prol da liberdade e dos direitos das mulheres e pelo fim do preconceito de gênero, o principal objetivo da mostra, segundo os organizadores, é valorizar e incentivar o olhar feminino na linguagem de humor. Esse é um passo importante, uma vez que a classe de cartunistas, é predominantemente composta por homens.

No entanto, há controvérsias. Por ser uma exposição exclusivamente de mulheres, o projeto dá a ideia de segregacionismo, pois a arte não deve ser só para mulheres ou só para homens, na visão dos opositores e opositoras dessa divisão. Por outro lado, muitas pessoas criticam essa proposta por acharem difícil conceber um tipo de humor que não envolva nenhuma discriminação e que continue sendo engraçado.

Acontece que o humor sempre foi reduto de homens e sempre houve um preconceito com a participação de mulheres. Então, qual é o problema de dar uma força para as mulheres saírem da marginalidade artística e humorística? Laerte Coutinho, quadrinista, perguntou em seu Facebook: "Existe um 'humor feminino'? Uma 'literatura feminina'? Ou esse foco só reforça a ação fabricadora de gêneros da nossa cultura?"

Bem, quando falamos em literatura ou humor femininos, isso dá a entender que pessoas pertencentes a outros gêneros não podem conhecer, discutir, desfrutar aquilo que foi feito somente para mulheres cis, por exemplo. Isto é um erro. A ideia de que o humor feito por mulheres é necessariamente destinado apenas a outras mulheres é uma falácia. Quando Simone de Beauvoir fala em um "segundo sexo", é exatamente deste processo que ela está falando: o que é "de mulher" é "apenas de mulher", enquanto tudo aquilo produzido "de homens" e "para homens" nos parece ser universal. O mesmo, dirão mais tarde as feministas negras, vale para a questão racial e, dirão ainda as feministas de classe trabalhadora, também para a desigualdade social.

Somos nós, então, quem fazemos a indústria fabricadora de gêneros girar, com a compra da proposta de que há coisas de homens (universais) e coisas de mulheres (particulares, exclusivistas, etc). Questionando esse senso comum, as participantes do "Lápis, Batom e TPM" mostram através de suas obras que "o rosa e o azul" não tem sexo, e que mulheres podem sim trabalhar numa área predominantemente masculina sem necessariamente fazer trabalhos apenas "para mulheres". Quem sabe assim, outros profissionais, que já sofreram preconceito de gênero em suas áreas, possam a partir da manifestação das ilustradoras, se inspirar e lutar pela igualdade de gênero no mercado de trabalho? Por que não?

Pra quem mora em Piracicaba e região a mostra teve sua abertura no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, no Parque do Engenho Central. As visitas podem ser feitas até 7 de abril.

18 março, 2013

Mês de luta pelos direitos das mulheres!

Pois Março já está quase acabando, meu povo! Apesar de o Mulher Alternativa ter ficado meio abandonado (meio?), estamos de volta a todo vapor. Para nos desculparmos publicamente com vocês, nossas queridas leitoras e leitores, vamos oferecer dois presentinhos!

O primeiro é um exemplar do livro Bordados, da Marjane Satrapi, discutido pela Luísa Sobral nesse delicioso post. O segundo é um DVD do filme "Persépolis", baseado na obra gráfica homônima da autora. O DVD é uma edição francesa, que só tem legendas em francês, por isso precisamos saber se você está concorrendo a apenas um dos prêmios ou ambos.

Para participar do sorteio, basta preencher o formulário abaixo, dizendo:

O que você fez pela luta das mulheres nesse mês de Março?

Receberemos respostas até o dia 31 de Março, e realizaremos o sorteio no dia 1º de Abril (mas não, não será de mentirinha, ok?). As informações do formulário são confidenciais! Apenas o nome e a resposta das duas pessoas sorteadas serão divulgados.

E aí, o que é que você fez pela luta das mulheres nesse mês de Março?


19 fevereiro, 2013

Tomando chá com iranianas

Olá! A primeira postagem no blog, vamos lá.

Há alguns meses, viajei ao Rio de Janeiro. Dentro de uma livraria, um amigo querido veio a mim muito empolgado com um livro em suas mãos:

"Luísa, Luísa, lê esse livro, é melhor que qualquer livro de Antropologia!!"

Cia das Letras, divulgação
Bem, com uma apelação dessas eu não podia deixar de lê-lo imediatamente. O livro era Bordados, da Marjane Satrapi. Sim, a mesma de Persépolis (sua autobiografia, que virou filme). Na época, não tinha menor familiaridade com a autora, ainda não li suas outras obras, mas já sei que não posso deixá-las de lado. Não depois de ter lido Bordados. Em primeiro lugar, é ilustrado, um quadrinho. Ao contrário da Marília, que escreveu sobre outra obra do tipo no Eu, minha tia e os cogumelos mágicos, não sou muito íntima de quadrinhos, mas fiquei com vontade de "quero mais".

Marjane Satrapi
A autora é de origem iraniana e conta muitas de suas experiências nas suas obras. Bordados trata de uma tarde cotidiana em que várias mulheres, de idades diferentes, conversam e trocam experiências de vida, ao mesmo tempo em que tomam chá (e que os homens dormem). O termo "bordado" se refere a uma prática bem comum no país, para a proteção da honra das famílias de mulheres que não são mais fisicamente virgens. Ou seja, é a reconstituição do hímen, o bom e velho cabaço.

A conversa toma um rumo pouco esperado para quem vai ler sobre a vida de mulheres no Irã. É então que vemos outro lado da cultura iraniana que não aparece nos jornais ou encontramos facilmente na internet. O melhor é que tudo isso com uma linguagem muito prática e divertida, você lê rindo, se identificando e, melhor ainda, quebrando preconceitos.


O livro mostra várias versões de uma mesma cultura, variando de acordo com as mulheres que se encontram na sala, em torno do samovar, e nas histórias por elas contadas. Nele há relatos de mulheres que não aceitam resignadamente as leis de seu país e de sua religião, procurando subterfúgios a fim de terem mais liberdade.

Não deve ser novidade que o machismo está muito presente naquela cultura. O engraçado é que quando pensamos num país como o Irã, que vive sob um regime político declaradamente machista, achamos que aquilo está muito distante de nós. Mas ao ler Bordados, vi muitos aspectos facilmente encontrados em um país como o nosso - tão longe de ser uma ditadura religiosa. Desde a auto repressão sexual feminina até a valorização de uma certa "reputação" das mulheres (não para todas as personagens, claro), os temas vão surgindo e nós, leitoras, vamos nos identificando.

Além disso, achei a ironia de Marjane, tanto nas conversas, quanto nas ilustrações, um barato. Ela é sutil e me fez parar, reler o texto e rir das personagens e de mim mesma várias vezes. Há um contraste muito bom entre elas, algumas mais tímidas e submissas, outras mais empoderadas e nada reprimidas. Claro que sou fã das mais livres e independentes, mas não me sinto totalmente como elas. No entanto, elas me fazem querer, cada vez mais, romper barreiras. Barreiras que estão não só a mim externas, mas internas também. Dessas que só nós mesmas podemos diminuir, diminuir até que não possamos mais vê-las. E contamos com personagens e autoras de livros como esse para nos ajudarem nisso.

Só mais uma coisa pra aumentar a curiosidade: a última frase é sensacional.

Ok, vou acrescentar uma nota: Após ter escrito esse texto, assisti ao filme Persépolis, que trata de sua biografia, ilustrada pela própria Marjane. É muito bom, maravilhoso, sensacional, emocionante. Talvez esteja sensível, mas chorei muito (e ri também). Assistam, ou leiam o livro, ou os dois, vale tudo. Só não podem perder.

Update: no mês de Março, o Mulher Alternativa vai fazer, como todo ano, um concurso cultural para celebrar a luta pelos direitos das mulheres! Fiquem ligadas, pois vocês podem ser as felizes ganhadoras de um exemplar de "Bordados" e de um DVD de "Persépolis"!
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