08 outubro, 2011

No dia das crianças, brinquedo é coisa séria!

Chega mais um Outubro, com ele mais um dia 12. Na minha família ateia, esta data sempre foi dia das crianças e só depois de adolescente descobri que era o tal Nossa Senhora Aparecida, que havia procissões e tudo mais. Sempre foi dia de ganhar presente. Eu, meu irmão, minha irmã, primos e primas aos montes. Família grande. Já que nesse final de semana provavelmente é que todo mundo lota shoppings atrás de presentinhos, ficam aqui algumas dicas bacanas pra hora da escolha!
 A brincadeira é uma parte bem importante do desenvolvimento da criança. Através da brincadeira a molecada desenvolve habilidades, imaginação, constrói autonomia, explora, aprende, significa, reproduz comportamentos. Os brinquedos, à medida em que influenciam em parte a brincadeira (porque como brincar com eles - e aí entram pais, irmãos mais velhos e amigos - é a outra parte), são coisa muito séria. Que experiência você deseja proporcionar à criança presenteada? Como escolher um presente de dia das crianças para uma criança que não conheço bem ou que não pediu nenhum presente específico?

  • Ao invés de direcionar a escolha para "presentes de menino" e "presentes de menina", que tal pensar num presente que é bacana tanto para meninas quanto para meninas? Ao reforçarmos para meninos e meninas que "Barbie não é de menino" e "Kit de ciência não é pra menina" estamos ensinando, sem querer querendo, que o gênero deles tem que limitar as possibilidades, gostos, escolhas. Se você pretende que a criança desenvolva toda sua potencialidade, usar o gênero como fator limitador da brincadeira é uma péssima ideia. Pense o seguinte: eu daria um presente desse tipo ou esse mesmo presente se a criança fosse de outro sexo???
  • Ao comprar um livro, jogo, videogame, filme, etc. observe como a relação entre meninos e meninas é representada. As meninas são sõ "auxiliares" ou "enfeites" na história e os meninos são sempre protagonistas? As meninas dependem dos meninos pra fazer tudo? Os meninos dependem das meninas pra fazer tudo? Ou os personagens são independentes, não importa o sexo? As meninas são representadas todas iguais, com o mesmo tipo de roupa, cabelo, preocupações? E os meninos? Ou há pluralidade nas personalidades - meninos frágeis e fortes, meninas frágeis e fortes, por exemplo -?
  • Além do brinquedo ou presente em si, o uso que se faz dele é fundamental. Se você não conhece os pais da criança muito bem, é legal pensar em brinquedos que possam eles mesmos estimular mais à criança, ou seja, que não dependam da ajuda de adultos pra ter uma experiência bacana. Por exemplo, uma arma de brinquedo precisa de uma interpretação adulta pra colocar limites e ser uma experiência mais... construtiva. Um quebra-cabeça não. 
Pessoalmente eu prefiro sempre livros! Gosto demais da literatura infantil e infanto-juvenil nacional, muito mais do que da maioria das traduções. Não gosto de livro-brinquedo muito, mas não vejo nada de mau neles. Também prefiro dar presentes onde as personagens representadas fujam de desenhos famosos - assim a criança aprende, por exemplo, que a Bela Adormecida da Disney é UMA versão e não "a" única.

Espero ter contribuído em alguma coisa pra vocês que como eu comprarão presentes neste final de semana! Boa sorte!

5 comentários:

Diana disse...

Tem também a ideia de dar um presente que costuma se limitar a um gênero pra uma criança de outro — por exemplo, escolher um caminhão super legal de brincar, ou uma boa bola, ou um kit de cientista, pra presentear uma menina. Algo pra se fazer com atenção, conhecendo e levando em conta os pais e a criança, para que a subversão seja vista como uma boa ideia e não como uma desatenção ou ofensa :) Porque pode ser muito bacana para uma menina, por exemplo, ganhar um presente que a estimule a explorar, exercitar o corpo, se sentir dona do mundo ;)

Diana disse...

Ah, e pras crianças que leem, tem duas autoras que são absolutamente fantásticas por não só escreverem histórias ótimas mas também preocupadas em mostrar um mundo saudável, igual, humano e revolucionário pra criançada, hehehe. São Lígia Bojunga Nunes e Ana Maria Machado. Os livros são tacada certa, e existem desde aqueles direcionados às mais novinhas até os infanto-juvenis. E minha menção honrosa pessoal de literatura infantil linda e libertadora em termos de papéis de gênero fica com "A Bolsa Amarela" da Bojunga e, principalmente, "Bisa Bia, Bisa Bel" da Machado.

Mari Moscou disse...

Bem lembrado, Diana, esse negócio de dar um presente "do outro sexo" é uma questão e tanto! Porque ninguém vai achar saudável dar uma Barbie pra um menino, mas um caminhão pra uma menina não soará tão ofensivo pra muita gente... Isso diz algo sobre nossa sociedade... :(

Essas autoras são excelentes! Não só pra crianças que lêem mas pra crianças que gostam de ouvir histórias!

Diana disse...

Mas, de resto (desculpa a verborragia, Marília), nós decidimos aqui tentar, pelo menos enquanto nossa filha é pequena, comemorar essas datas todas meio consumistas (dias das crianças, das namoradas, das mães, dos pais) com programas gostosos em família em vez de presentes.

Este ano é o primeiro, e pretendemos ir ao show do Palavra Cantada às 10h no Ibirapuera, depois fazer um pique-nique por lá, e emendar alguma outra coisa de tarde (talvez a reunião de preparação para as manifestações de 15 de outubro, hehehehehe).

Enfim, bons presentes e comemorações pra geral ;)

Diana disse...

Concordo, Marília! Sobre os livros tb pras pequenas que podem ouvir as histórias enquanto não leem, e sobre isso de os presentes de menina serem (sintomaticamente) ofensivos aos meninos e o contrário nem sempre ser verdade.

(Na mesma chave, a Madalena usa algumas "roupas de menino" com muita desenvoltura, de uma maneira que eu não sei se saberia fazer com um filho menino usando rosa... Pra gente é já uma tarefa e tanto evitar que ela passe os dias cheia de babadinhos rosas, ela ganha muita roupa, então a gente tenta variar bastante nas cores e estilos e é tudo roupa de criança, continua tudo bem. O contrário não é nada tranquilo: um menino usando rosa gera furor e eu mesma não saberia dizer exatamente qual o ponto de gerar esse furor. hehehe. Tudo um grande campo minado...)

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