16 dezembro, 2011

10 livros para presentear mulheres bacanas e inteligentes no Natal ou Amigo Secreto

Woman Computer Scientist/Kobieta informatyk
por Anna Borska, Flickr, CC
Você certamente conhece mulheres bacanas. Fortes, independentes, inteligentes, que exigem ser tratadas com o respeito que se dá a homens em diversos espaços. Quase todas nós conhecemos mulheres "fortes" assim, que admiramos e nas quais nos inspiramos, não? Na época de Natal e amigo secreto frequentemente ficamos em dúvida sobre presentes. Um livro costuma ser um bom presente. Mas como escolher livros? Dar um livro curto ou longo? Um romance gigantesco ou pequenos contos? Literatura ou acadêmico? Poesia ou prosa? Brasileiro ou estrangeiro?


Seus problemas acabaram! Hoje trago uma listinha de 10 livros bacanas pra presentear em aniversários, Natal, amigo secreto, etc. A lista contém o título, autora/autor, preço, capa e um link pra comprar direto pela Livraria Cultura, parceira deste blog. Ao comprar por estes links, vocês me ajudam a manter o blog funcionando (saiba mais sobre essa parceria aqui). Busquei fazer uma lista bem variada de livros que acho que mulheres bacanas e inteligentes podem curtir. Me contem depois se ajudou em alguma coisa e se as presentadas gostaram!


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Minha História das Mulheres (Michelle Perrot; R$35,90 na Livraria Cultura)
Acho que já falei desse livro um bilhão de vezes aqui no blog. O motivo para isto é que sua leitura fácil, não-academicista e repleta de conteúdo, transformou minha percepção sobre as mulheres. Eu já me declarava feminista quando o li, mas ele me deu base pra compreender de fato muitas coisas que eu imaginava ou tinha a sensação de que aconteciam, em teoria, na nossa sociedade ao longo de nsosa história. O livro é baseado em anos e anos de pesquisa muito séria e ajuda a nos identificarmos, enquanto mulheres: de que história viemos? O que significava "ser mulher" em outras épocas em outros espaços? Através do livro de Perrot, podemos construir nossa própria história coletiva, e colocar o presente à luz dessas informações.

Contos Completos (Virginia Woolf; R$79 na Livraria Cultura)
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Não é segredo que sou fã de Virginia Woolf. Numa época em que as mulheres inglesas não tinham acesso sequer à educação universitária, acadêmica, ela enfrentava o preconceito e o status quo através de seus livros e de seu sucesso. Diferentemente do livro acima, este é literatura pura. Ao tratar de personagens femininas, das vidas de mulheres e das tramas diversas destas vidas enquanto material literário, Woolf revolucionava a literatura. A incrível beleza das palavras não se perde nesta excelente tradução de uma edição extremamente cuidadosa - e também por isto indicada aqui - da Editora Cosac & Naify. Contos Completos tem a vantagem de trazer num só volume estilos e assuntos diferentes, contos mais curtos e mais longos. A leitura torna-se deliciosa, perfeita pra quem busca o prazer literário mais do que a informação factual acadêmica.

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Nós Que Adoramos Um Documentário (Ana Rüsche; R$22 na Livraria Cultura)
Ser mulher, no entanto, não é o mesmo na França, na Inglaterra, no sáculo 19 ou no 21, sabemos. Mais do que ser mulher, Ana Rüsche nos presenteia com a narrativa do que é ser essa mulher, ela, Ana, em São Paulo, em nosso século, escritora e poeta. A autobiografia em poemas figura atualmente entre as minhas obras de cabeceira. Leio, releio, leio de novo. As palavras da autora são firmes, leves, certeiras. A beleza é da palavra mas é uma beleza da memória também, no livro, identificar-se e perceber os pontos comuns e divergentes de sua trajetória com as nossas, nós outras mulheres.

Middlesex (Jeffrey Eugenides; R$59,50 na Livraria Cultura)
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Este livro ultrapassa os limites e barreiras que a categoria "sexo", como a entendemos hoje, apresenta. Pensamos o sexo como um dado biológico imutável, e partimos do pressuposto de que só há dois sexos - masculino e feminino, pênis e vagina - que são opostos. Sem entrar numa discussão acadêmica ou teórica sobre o assunto, o livro Middlesex é um "memoir", um relato de vida de um hermafrodita que foi criado como mulher até a adolescência, quando se descobriu culturalmente homem e passou pelas mudanças corporais que desejou para adequar "corpo e mente". A linguagem de escrita é fascinante, a leitura flui de forma incrível. O assunto interessa, a trama é cativante.

Persépolis (Marjane Satrapi, R$48 na Livraria Cultura)
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A história de Marjane Satrapi, ilustradora e cartunista iraniana radicada na França, ficou mais conhecida quando sua obra autobiográfica em quadrinhos tornou-se filme de animação. Filme de animação e quadrinhos, porém, são mídias muito diferentes e utilizam-se de recursos muito distintos para contar histórias. Embora o filme seja espetacular e seja uma excelente adaptação da HQ (História em Quadrinhos), ler a obra original é como ler uma outra história. Detalhes que não estão no filme, assim como diferentes construções de personagens, dão o tom. Marjane atrela à história pessoal de sua vida, a história social e política do Irã, além de refletir sobre a sensação de ser estrangeira dentro e fora de seu país. Para demistificar esse país tratado com tanto preconceito e compreender o que é o Irã hoje, é uma excelente dica inicial. Além disso, quebra-se uma série de imaginários superficiais sobre a condição de vida das mulheres por lá.


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O País das Mulheres (Gioconda Belli; R$29,90 na Livraria Cultura)
Imaginem um partido feminino e feminista num pequeno país conservador latinoamericano, o escândalo que não seria. Agora imaginem que este partido ganha as eleições presidenciais e o país passa a ser governado exclusivamente por mulheres, só deixando homens voltarem ao governo em minoria e progressivamente. O que aconteceria? Seria diferente? Pois a feminista nicaraguense Gioconda Belli traz neste conto fantástico de ficção suas suposições sobre o assunto. De forma muito bem-humorada, ela conta a história de Viviana Sansón, aclamada jornalista do país de Fáguas, que acaba por tornar-se presidenta pelo Partido da Esquerda Erótica. O texto de Belli é fenomenal e traz todos os tons da literatura latinoamericana clássica. Uma obra-prima, simples de ler, mas inventivo, original e genial.

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O Livro Amarelo do Terminal (Vanessa Barbara; R$48 na Livraria Cultura)
Vanessa Barbara é jornalista e escritora em São Paulo. Neste livro, narra sua saga investigativa pelo Terminal Rodoviário do Tietê, um dos pontos onde mais circula gente na enorme megalópole. Quem são os trabalhadores? Como se organizam os carregadores, aqueles de uniforme amarelo superchique que parecem vindos de um túnel do tempo, deslocados do resto da estética do terminal e da cidade? Quem chega? Quem se vai? Com muito material humano, Vanessa Barbara mobiliza sua incrível habilidade literária e transforma o jornalismo investigativo em literatura. Além disso - que já seria suficiente pra amar o livro - há ainda um cuidado especialíssimo com a forma. O tipo de papel, textos recortados, boxes, notícias de jornal. A sensação é a de estar em um verdadeiro thriller: o que acontece de fato, afinal, no terminal?

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Ariel (Sylvia Plath; R$34,90 na Livraria Cultura)
A escritora Sylvia Plath teve sua vida transposta para o cinema (saiba mais), na pele de Gwyneth Paltrow. Foi assim que a conheci, por acaso, em alguma tarde assistindo TV a cabo, despretensiosamente, durante a adolescência. A autora enfrentou à sua época o grande desafio de ser mulher e não ter seus poemas classificados como "literatura feminina", considerada "menor" do que a literatura universal - masculina. Ariel é um livro que foi editado e reeditado, a partir de uma pasta de poemas que ela deixou ao suicidar-se, com instruções precisas sobre sua publicação. Seu então marido, Ted Hughes, não teve a delicadeza porém de seguir a instruções de Sylvia, julgando que muito do que ali estava escrito seria prejudicial a sua imagem. Os poemas completos de Ariel só foram publicados próximos à morte de Ted. Esta edição brasileira com uma excelente tradução, traz os manuscritos originais e as anotações de Sylvia. Uma preciosidade para quem se interessa não só pela poesia mas pelo seu processo criativo.

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Modotti - Uma Mulher do Século XX (Ángel de La Calle; R$39 na Livraria Cultura)
Diferentemente de Persépois, esta não é uma autobiografia. Nem exatamente uma biografia. Nesta obra em quadrinhos, o desenhista Ángel de La Calle intercala sua busca pessoal e obsessão por Tina Modotti enquanto traz informações, descrições e passagens da vida desta importante comunista do séxulo XX. Tina era italiana, mas fascinada pelo México, onde morou por muitos anos. Participando da vida cultural intensa do México no início do século, Tina convivia com artistas, pintores, jornalistas, fotógrafos da esquerda mexicana, entre eles Frida Kahlo e Diego Rivera, pra dizer o mínimo. A narrativa do cartunista é surpreendente, bem encadeada e quebra o imaginário popular de que biografias são obras chatíssimas de ler e acompanhar. A vida, para Tina Modotti, era uma grande aventura, e assim o autor nos conta.

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Uma Patada Com Carinho (Chiquinha!; R$34,90 na Livraria Cultura)
Sabe aquela história de precisar ser preconceituoso pra fazer (mau) humor? A cartunista - e amiga deste blog - Chiquinha! é mestra em desbancá-la. O humor de Chiquinha e sua Elefoa Cor-de-Rosa é ácido, azedo, amargo, ardido e não por isso infame, nem carregado de preconceitos. Os cartuns e quadrinhos são hilários, sarcásticos e uma ótima pedida pra quem gosta de humor. Bom humor. Muito além de suas crises com a modernidade, a quadrinista avacalha com uma série de outras coisas, fazendo um retrato caricatural do mundo contemporâneo. Sem perder o rabolado. (e devo me gabar dizendo que ela fez um desenho especial pra mim quando nos conhecemos numa noitada de infinitos vinhos e, bem, uma caricatura excelente do maridão quando ainda não era marido)

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