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| por Call It Crazy, Flickr, CC |
Talvez a maior fonte de informação sobre transas hoje aqui no Brasil seja a mídia em vídeo. Mesmo que haja em livros inúmeras descrições, informações e ideias muito melhores do que geralmente são as mídias em vídeo (novela, tevê, cinema, pornô, youtube, etc) é notório que as pessoas lêem pouco em nosso país. O livro, para a maioria das pessoas, não é o primeiro nem um dos primeiros recursos nos quais elas pensam para buscar informações ou referências. No caso do sexo, beibe, referência é bem importante.
Ter uma referência pra algo que desejamos fazer ajuda a construir e estimular o desejo sexual por determinada prática, modalidade, posição, etecétera, mas também nos dá a sensação de que somos "normais". Quer dizer, nos ajuda a entender que aquilo que desejamos, que nos dá tesão, não uma aberração, não é um absurdo, não é algo "sujo". Assim caminhamos.
É aí que entra o problema da referência em vídeo. A referência em vídeo, diferente da referência escrita (contos eróticos, passagens eróticas de livros não-eróticos, etc), é pensada enquanto espetáculo e performance. Além disso é pensada para vender. Além disso, é pensada por um pequeno grupo de pessoas de uma empresa, que definem tudo que vai acontecer ali, recortam, editam, colocam efeitos especiais (sim, pornô costuma ser cheinho de efeitos especiais). Então vamos curtir nosso pornô à vontade, amigas (e eventuais amigos que lêem este blog mas são minoria), mas sem usá-lo enquanto única e exclusiva referência sexual. Que tal?
Um exemplo dos problemas dessa falta de referência visual é a sensação que muitas jovens lésbicas ou bissexuais (e também jovens gays e bissexuais) têm, de que "não sabem" transar com alguém do mesmo sexo. O sexo homossexual é um tabu e é explorado pouco nas mídias em vídeo não-específicas para o público homossexual (mesmo quando é, tem também os problemas da mídia em vídeo heterossexual). No máximo há uma sugestividade de que o ato aconteceu ou uma ou outra carícia mais quente, uma cena de sexo oral ou de penetração anal ou vaginal (com pênis artificial). Só que sexo, aí é que está a questão, não é só isso.
Para aprender a transar, aprender como fazer sexo, construir seu desejo, aprender qual é o seu tesão e o que dá mais ou menos prazer, as referências são o primeiríssimo passo (a experimentação o segundíssimo, vale dizer, e com camisinha!). Infelizmente eu até hoje não achei nenhum site que tenha consto eróticos bem escritos, bons, só lixaria. Mas fica a dica de buscar livros eróticos.
Encontrei um post interessante com algumas dicas, no site Bolsa de Mulher (leia aqui). Destes, já li e também recomendo:
- "A Casa dos Budas Ditosos" (João Ubaldo Ribeiro, por R$24,90 na Livraria Cultura - formato ebook; edições impressas esgotadas)
- "O Doce Veneno do Escorpião" (Raquel Pacheco, por R$33,90 na Livraria Cultura)
- "Lolita" (Vladimir Nabokov, por R$49,90 na Livraria Cultura)
- "O amante" (Marguerite Duras, por R$52 na Livraria Cultura)
Outros livros que não estão nessa lista e tem passagens ou textos eróticos muito bons são:
- "O homem sentado no corredor / A doença da morte" (Marguerite Duras, por R$56 na Livraria Cultura)
- "Middlesex" (Jeffrey Eugenides, por R$59,50 na Livraria Cultura)
- "Três Vidas" (Gertrude Stein, por R$63 na Livraria Cultura)
E mãos (e corpos) à obra, moçada!


9 comentários:
Gostei das sugestões. No entanto, tenho uma que é fundamental e não sei como faltou por aqui que é Anais Nin. Apesar de a autora - que é fenomenal - ter diversos livros muito bons, indico Henry e June, que vem a ser o diário da autora no período do relacionamento dessa com June Miller e Henry Miller. (Sim, Henry Miller seria também uma indicação para esse post se eu não o desprezasse tanto após a leitura do livro.)
Miller, bem conhecido pela temática sexual sem restrições em seus romances, foi amante de Anais Nin por um período extenso (e intenso, devemos dizer). Sua esposa também foi amante de Nin. Anais, antes considerada uma escritora burguesa, muda totalmente sua literatura com a proximidade nesse duplo caso. O diário transformado em livro relata os encontros sexuais entre os três e nele podemos observar as diversas contradições e emoções que atravessa Anais Nin, levando-a totalmente reconsiderar o caráter de Henry Miller (não só ela, mas nos também vamos o reconsiderando) e também a sua subordinação literária a ele.
Realmente muito bom.
PS. Ainda que seja um post scriptum é extremamente relevante ao tema. Tenho um amigo que é grande leitor de Henry Miller e Bukowski (outro escritor desinido e obsceno) e ele sempre queria comentar das obras desses caras e tal e sempre comentei, mas num dia me exasperei e disse "pô, vc não mudar de leitura? Já leu ao menos Anais Nin?". E eis que ele me diz que sim, que já leu e gostava muito da prosa DELE. Eu ri e disse que era uma mulher e conversando mais com a pessoa pude perceber que ele achava o tipo de literatura tão real e tão sexual que só achava que poderia ser de um homem. Um "ps" só para dizer como o machismo está nas entranhas culturais.
Legal! Referência em vídeo é difícil mesmo. Sempre adorei falar sobre sexo mas sempre foi muito dificil, pq a maioria dos meninos reclama demais das mulheres, e boa parte das meninas vive negando tudo, dizendo que tem nojo da própria vagina... me dá uma preguiça...
Só pra falar de mais uma referência (bem diferente das outras), minha primeira referência sobre sexo foi um livro, muito fofo, que herdei da minha irmã mais velha: http://migre.me/79j4p
Descrevia várias coisas, desde as diferenças biológicas entre homem e mulher, fases de crescimento e gravidez, até descrições do amor, do sexo, do orgasmo. Isso de um jeito muito sutil, com ilustrações lindinhas e zero moralismo (bem heteronormativo, apesar disso). Nunca esqueço uma ilustração da mamãe, gordinha, com o papai careca, abraçadinhos felizes debaixo do lençol. Tudo muito natural e amoroso. Marcou pra sempre minha visão do sexo, hehe.
Excellent as always. Such problems are prevalent here as well!
Ontem eu vi esse livro na Livraria Cultura e lembrei de você, do seu blog e deste post.
"Entre a luxúria e o pudor: a história do sexo no Brasil", de Paulo Sérgio do Carmo.
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=22962876&sid=143241243131215294671655646
Andrea, a sugestão é excelente. Vou contar porque ela não está no post. Porque... eu ainda não li. #VergonhaAlheiaIntelectual, eu sei, mas é a vida. Hhihihi. Depois deste seu comentário tá na minha listinha pra 2012!
Mari, esse livro foi quase um clássico pra muita gente que foi criança nos anos 80 e 90, hehehe. É importante, ter essas informações científicas e tal, mas durante a adolescência acho que as refer~encias precisam ser mais... práticas. Será?
Richard, maybe it's a problema of the whole globalized world, unfortunately. :( In Ireland catholicism seems to be even stronger than in Brazil which mat have something to do with such taboos too. Am I right?
Belzinha, ando louca pra ler isso daí, sempre fico tentada a comprar. Mas preciso terminar outros. Vou colocar cmo Miller e Nin na lista de 2012, haha. Brigada pela lembrança, flor!
Então, para aprender a fazer sexo, basta ler o livro SEXO SEM FRESCURA, autora a psicologa/sexologa, Marízia Bonifacio.
ela ensina tudo , sem frescura.
Obrigada pela dica, Marizia!!! Vou dar uma lida também pra ver se é massa!
meu amei akabei de testar e deu certo tranzei e tranzarei todos os dias da minha vida é gostoso bom e uma delicia meu namorado é um gostoso eu vou tanzar de manhã no almoço de tarde de noite e de madrugada
Acho bem válida a dica que se busque informações de mais qualidade sobre como transar. Ao assistir aos filmes pornôs de fácil acesso, chego a pensar que eles são os culpados por algumas pessoas transarem tão mal (como sou uma mulher heterosexual, me refiro aos homens heterosexuais) Como mulher percebo que a maioria dos filmes e vídeos populares desconsideram por completo os aspectos importantes para a satisfação feminina. Apesar de eu não ser homem, também acho que se as cenas fossem reais, nem os homens ficariam satisfeitos. Logo, acho válido buscar outras fontes, e sobretudo, aprender com o outro, desprender mais tempo com o parceiro, dedicando-se mais ao parceiro(a) e assim o(a) conhecendo por inteiro - com tempo e com calma. A sociedade imediatista não tem favorecido o sexo de qualidade. Tudo para ser bem feito depende de conhecimento e leva tempo!
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