09 Janeiro, 2012

Não nasci mulher, e você?

Simone (Lucie-Ernestine-Marie Bertrand) de Beauvoir - 100 years - 100 anos - 100 ans
por starrynight1, Flickr, CC
Já contei aqui no blog como chorei e porque chorei quando visitei o túmulo onde está Simone de Beauvoir, no Cimetière Montparnasse, em Paris (leia aqui se perdeu). Pois há 104 anos nascia esta mulher. Antes que proclamem por aí que ela era a feminista mais bambambam, me permito dizer que, no caso de Simone, o que me encanta é que antes de ser feminista ela era filósofa. A princípio, Simone não se declarava feminista e não considerava sua obra “O Segundo Sexo” como feminista (pasmem, flambem-se na champagne, etc). Pois é.


Como acontece com as leitoras destes dois livros enormes e deliciosos (altamente recomendo, mas me revolta que quase não haja edições em português do Brasil, o que só reflete o lugar que os direitos das mulheres ocupam por aqui mesmo quando se trata da academia, da intelectualidade, da política, das elites que lêem livros, enfim), quanto mais a filósofa lia o próprio livro, mais foi se tornando feminista e se convencendo de que, sim, ela escrevera uma obra feminista. A descoberta do feminismo ali, pura e bruta, de uma mulher considerada uma das mais célebres feministas da história. Como não amar?

Além do cemitério de Montparnasse onde ela está enterrada tive o prazer de visitar quase sem querer o café onde ela passava tardes com Sartre à época em que viveu em Rouen (terra de Jeanne D’Arc, aquela que foi á guerra e foi queimada como bruxa, oui, oui). Fotografias e jornais da época estão preservados, embora o espresso seja lá meio caro. Mas uma delícia, três euros muito bem gastos (eu disse que era caro).

Pisar onde Simone pisou, claro, não faz de mim nem um tiquinho mais próxima dela. Mas constatar as pequenas marcas da existência dessa autora cuja obra foi e é tão importante para mim de fato me emocionou. A pequena placa em Paris, “Praça Simone de Beauvoir”. A indicação “nesta casa viveu Simone de Beauvoir, entre anos tal e tal”. O túmulo. O café. Um suspiro.

Se nunca ouviu falar desta mulher incrível, recomendo o documentário disponível abaixo com legendas em espanhol, recomendado pelo @MarceloSpitzner lá da UFSC.

Joyeux Anniversaire, Simone!

(as outras partes do vídeo podem ser encontradas no Youtube a partir desta)

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