21 Fevereiro, 2012

Todo cuidado é pouco


violencia doméstica
por Libertinus, Flickr, CC
Na coluna semanal que escrevo para o portal Outras Palavras, dediquei ontem um grande espaço aos crimes de gênero contra mulheres (leia aqui). Este é um assunto corrente entre todas nós, militantes feministas e ativistas de direitos humanos ao redor do mundo. Embora nossos estômagos fiquem embrulhados com certa frequência com comentários machistas e misóginos sobre casos emblemáticos como os de Eloá Pimentel (“periguete que esnobou o ex, mereceu”) e Eliza Samúdio (“estava numa orgia, mereceu”), entre outros, em certos casos uma pontinha de esperança se acende. Ontem meu coração triste ficou um tiquinho mais iluminado.

Minha mãe tropeçou e caiu, em casa, e precisou ir ao pronto-socorro. Fomos num hospital particular conveniado do nosso plano de saúde, em que sempre nos tratamos, consultamos médicos, etc. Estava bem vazio. O machucado sangrava um pouco, mas estava bem inchado, perto do olho dela, que bateu a cabeça. Estava (e está) tudo bem, não se afobem. Foi um machucadinho de nada. Mesmo assim, ao conversar com o médico, ela contou que a primeira reação dele foi investigar se aquilo não seria resultado de uma situação de violência doméstica. 

Vitória.

Ainda que seja um hospital. Ainda que seja em um pedacinho pequeno de um grupo social privilegiado. Ainda que seja um único médico. Se existe essa consciência, meu coração se aquece. Todo cuidado contra a violência doméstica é pouco.

Não me esqueço, porém, de que a luta ainda é grande. Mesmo que nem tudo esteja tão perdido assim.

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