04 abril, 2012

As estátuas pensantes: representações urbanas do feminino

[Texto e Imagens: Flávia Paniz]

*Estátuas Pensantes é o título de um capítulo do livro “A sociedade dos indivíduos” de Norbet Elias.

Em um jantar com a Mari discutindo hobbies estranhos, eu contei sobre a minha idéia de fazer um blog sobre estátuas e esculturas. Passei mais de meia hora tentando convencê-la (e ao marido dela também) de que isso não era uma completa maluquice. Esse post é então meu presentinho pra ela. Pra quem teve a riquíssima oportunidade de ler A Odisséia (edição completa aqui).

Vivo Ulisses, paciente um ano esperes;
Morto, regressa, um monumento exalça
E consagra-lhe exéquias dignas dele;
De ti novo marido a mãe receba.
Isto acabado, às claras ou por fraude,
Sério dos procos desfazer-te busca:
De brincos pueris não é mais tempo.
Ouves de Orestes o renome honroso,
Por ter vingado o pai no infame Egisto?
Sê no valor qual és no garbo e talhe;
Gabem-te, filho, as gerações futuras.
(Homero, A Odisséia)
Esse post não tem outro propósito senão apresentar algumas imagens, fotos que fui tirando por aí nos últimos cinco anos, por isso não tem explicação alguma, tirem suas próprias conclusões =)




“Talvez seja útil, para dar um relevo mais nítido à estranheza de nossa imagem de nós mesmos e do homem, olhá-la retrospectivamente no espelho da imagem do eu e do homem que, seguidas vezes ao longo dos séculos exerceu um papel fundamental na luta para solucionar o problema do conhecimento.”
(As Estátuas Pensantes, Norbert Elias)

Para quem se interessou:

Comecei a reparar em estátuas, esculturas e monumentos depois de 2009 quando fui estudar um tempo em Buenos Aires. Desde então comecei a tirar foto de tudo o que encontrava a respeito. Reparei que boa parte das mulheres estão nuas. Em Santos, SP, há homenagens à maçonaria, a imigrantes japoneses e a jesuítas. Em São Vicente, SP, muitas homenagens a policiais militares, além de Martim Afonso, Padre Anchieta, e pasmem, uma ao Tom Jobim, que provavelmente nunca pisou na cidade (!). Nenhum monumento indígena e nada sobre a Bartira; as referências são exclusivas aos portugueses. Em Santos,SP, há apenas um pequeno monumento ao Pelé: a grande estátua que o homenageia está em Três Corações, MG, sua terra natal. No Rio de Janeiro, MPB e Bossa Nova são lembradas. Nunca fui a Varginha, mas ouvi falar dos monumentos ao famoso “ET de Varginha”. Também costumo tirar fotos de crianças, muros e de portas (sim, portas).

Antes que me perguntem: não, eu não sei nada de fotografia, mal consigo ajustar o zoom da câmera, que, aliás, é bem antiga e está com o botão pendurado. Não possuo nenhuma pretensão artística. Vocês, o que acharam dos monumentos e estátuas mostrados?

(Obrigada Má, por ceder o espaço do blog às minhas loucuras)

2 comentários:

Gabriela Domiciano disse...

Oi,

Passo aqui pelo blog de vez em quando, e hoje vou comentar para te incentivar a levar em frente a ideia do blog sobre as estátuas e esculturas, ou se quiser ampliar mais a ideia, sobre arte pública.
Acho que há muito a ser mostrado, visto e dito sobre o assunto. Porque, como pode ser observado nas imagens e exemplos dados, essas obras refletem idéias, valores, etc e também ajudam a construir o imaginário de quem convive com elas, principalmente por ocuparem ambientes públicos.

É isso, espero que dê certo o blog.

Brunela disse...

Eita dona Flávia Paniz!! Nem fiquei sabendo desse post! Ainda bem que passo sempre para conferir as novidades de Marilia neste blog que eu adoro!!!
Mas aproveito pra botar lenha na fogueira da Flávia, e dizer que vá em frente com o blog sobre as estátuas!! E quando quiser, passa aqui em BsAs pra tomar umas brejas peronistas-feministas no Kossab comigo!!! hehehe. Marilia também está convidadíssima, é só chegar!!

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